Conheça o Rabo-de-junco do Sal

March 29, 2019

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Quanto sabemos sobre a ave que aparece no nosso logo? Apesar de que a sua cauda branca e o seu bico vermelho são fáceis de identificar, a menos que estejas escalando perto da costa, o Rabo-de-junco (Phaethon aethereus) não é fácil de encontrar!

 

Esta espécie nidifica em colônias dispersas em falésias rochosas onde há um acesso rápido ao mar. A sua dieta consiste principalmente em pequenos peixes e lulas que os apanha caindo rapidamente e mergulhando. São também aves altamente pelágicas, passando a maioria da sua vida no mar, apenas voltando para terra para colocar geralmente um só ovo por ano.

 

O seu comportamento reprodutivo faz com que o Rabo-de-junco seja muito sensível a mudanças no seu entorno. Esta espécie geralmente volta para o mesmo ninho para se reproduzir e permanecem com o mesmo casal para o resto das suas vidas, tornando-as muito vulneráveis a ameaças como a predação por espécies exóticas como as ratas, gatos e outros mamíferos, assim como por ameaças antropogénicas como a poluição dos oceanos e a caça furtiva dos adultos e filhotes.

 

Apesar de que não se encontram classificadas como ameaçadas pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), a população mundial de Rabo-de-junco está a diminuir. Em Cabo Verde existem registros de predação dos adultos, os filhotes e os ovos por gatos selvagens e cães vadios. Pouco tempo atrás, encontramos o que são evidências claras do apanho para o consumo, uma ameaça conhecida que nunca antes tinha sido registrada em Sal.

 

 

Em 2017, como parte duma colaboração com a Universidade de Barcelona, Projeto Biodiversidade iniciou um programa novo de monitorização das colónias de aves marinhas de Sal, com o objetivo de melhorar o conhecimento sobre a biologia, a migração e os padrões reprodutivos destas aves icónicas para parar o declínio das suas populações. Este programa forma parte de um projeto mais extenso liderado pela Birdlife International, Projeto Alcyon, que visa proteger as aves marinhas e as IBAs (do inglês “Important Bird Areas” ou Áreas Importantes de Aves) em África Occidental.

 

A nossa equipa realiza principalmente trabalho de campo, incluindo a marcação com anilhas para determinar o tamanho da população, assim como colocação de GPS e geolocalizadores para estudar os padrões de migração. Ao mesmo tempo, são recolhidas amostras de sangue e gordura uropigial para estudar a alimentação e a incidência de poluentes orgânicos e inorgânicos. Com a obtenção de toda esta informação, a equipa está a descobrir elementos críticos necessários para avaliar o estado de conservação da população de Sal e de todo Cabo Verde.

 

Durante os dois últimos anos, os dados recolhidos pelos nossos biólogos e técnicos têm trazido algumas descobertas. Particularmente importante é que a Ilha do Sal parece ser uma das zonas de reprodução mais importantes para Rabo-de-junco em África Occidental. Mais recentemente, a equipa tem colaborado com a Universidade de Barcelona na publicação das descobertas iniciais no âmbito da avaliação da ecologia migratória para ajudar a encontrar soluções para a gestão global das espécies pelágicas.

 

 

A nível local, estes dados fornecem uma visão muito importante sobre os riscos iminentes para o Rabo-de-junco do Sal. São também uma parte essencial para a nossa equipa delinear medidas de conservação eficazes e de impacto local para esta espécie icónica.

 

Paralelamente ao trabalho do campo, a nossa equipa está empenhada em partilhar a nossas descobertas no âmbito da conservação das aves marinhas. De 9 a 11 de Abril apresentaremos as nossas mais recentes descobertas no 5ª Conferência Anual de Aves Marinhas em Twitter, organizado pela World Seabird Union. Conecta-te ao Twitter e segue o hashtag #WSTC5 para a conferência e #ConsSesh2 para seguir a nossa sessão!

 

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