
Observando ecossistemas inteiros para garantir o futuro do Sal
Durante muitos anos, a conservação da vida selvagem concentrou-se na proteção de espécies ameaçadas de extinção. No entanto, a aceleração das mudanças climáticas e suas consequências voltaram o foco para a proteção de ecossistemas importantes que, ao mesmo tempo, representam o habitat principal da maioria das espécies ameaçadas, e não apenas de uma. A proteção e a restauração de habitats-chave, como florestas tropicais ou ecossistemas costeiros, são ferramentas poderosas para mitigar os impactos negativos do aquecimento global.
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Além disso, ecossistemas saudáveis proporcionam benefícios diretos às comunidades que vivem nas proximidades, por meio do uso sustentável de seus recursos.
Estamos implementando diversos projetos focados na proteção e recuperação de habitats costeiros. Esses projetos contam com o apoio e o envolvimento dos setores público e privado, impulsionando-os em direção ao uso sustentável dos recursos.

Habitats importantes e áreas marinhas protegidas
Das cinco reservas naturais do Sal, quatro incluem áreas marinhas significativas protegidas por lei nacional, combinando uma zona terrestre com uma extensão de três hectares de oceano. A reserva natural da Baía da Murdeira continua a ser a única área marinha totalmente protegida em todo o arquipélago de Cabo Verde. Embora estas áreas estejam legalmente salvaguardadas devido à sua rica biodiversidade, a capacidade e os recursos para a implementação e fiscalização eficazes da legislação ainda são limitados, de forma a garantir a efetiva proteção dos habitats e das espécies.
Grande parte do nosso trabalho de conservação concentra-se nessas reservas, mas também atuamos em áreas importantes fora delas — como o berçário de tubarões-limão no Recife de Parda — onde colaboramos com as comunidades locais para proteger a vida marinha. Para fortalecer os esforços de conservação a longo prazo, propusemos a criação de uma nova área protegida no Recife de Parda, garantindo áreas vitais para as gerações futuras.
Práticas de Conservação
Ecossistemas funcionais dependem de uma variedade de habitats saudáveis para a vida selvagem. Os habitats costeiros de Cabo Verde são influenciados e fortemente impactados pela crescente indústria do turismo e pelo setor pesqueiro, que desempenham um papel essencial nas paisagens sociais e econômicas de Cabo Verde. Para proteger e restaurar os diversos habitats da ilha do Sal, estamos implementando diversas atividades.
Conservação de espécies e pesquisa científica:
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Monitoramento de espécies de elasmobrânquios ao redor da Ilha Sal
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Avaliação das populações de tubarão-limão em áreas de berçário por meio de amostragem biométrica.
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Rastreamento da distribuição espacial e temporal da megafauna marinha usando drones e BRUVs (Veículos Aéreos Não Tripulados Remotamente).
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Avaliação dos estoques de peixes comerciais ao redor da ilha
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Realização de estudos de biomassa de espécies de peixes indicadores-chave
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Registro da diversidade, abundância e distribuição de espécies marinhas
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Coleta de dados ecológicos por meio de iniciativas lideradas pela comunidade (Guardiões do Mar)
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Colaboração a nível nacional para rever os planos de conservação e gestão de tubarões.
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Promover a ciência cidadã através de programas de observação da megafauna.
Divulgação e Parcerias com a Comunidade:
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Engajar e capacitar os pescadores afetados pelas políticas de gestão marinha.
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Monitoramento das águas costeiras e denúncia de infrações por meio dos Guardiões do Mar.
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Promover a educação ambiental em escolas e centros comunitários.
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Realização de campanhas de comunicação sobre pesca sustentável e consumo de frutos do mar.
Implementar práticas de pesca que reduzam a captura acidental de megafauna marinha. -
Fortalecimento da capacidade técnica de pescadores e trabalhadores do turismo marítimo, incentivando o empoderamento e a participação na tomada de decisões.
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Oferecer treinamento para guias sobre atividades responsáveis de observação de tubarões.
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Realização de pesquisas com pescadores para compreender as interações com tubarões e golfinhos.
Gestão Cooperativa de Áreas Marinhas Protegidas (AMP):
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Colaborar a nível nacional para atualizar e fortalecer os planos de gestão das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs).
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Propor novas Áreas Marinhas Protegidas em parceria com as comunidades locais que dependem dos recursos marinhos.
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