
Observando ecossistemas inteiros para garantir o futuro do Sal
Durante muitos anos, a conservação da vida selvagem concentrou-se na proteção de espécies ameaçadas de extinção. No entanto, a aceleração das mudanças climáticas e suas consequências voltaram o foco para a proteção de ecossistemas importantes que, ao mesmo tempo, representam o habitat principal da maioria das espécies ameaçadas, e não apenas de uma. A proteção e a restauração de habitats-chave, como florestas tropicais ou ecossistemas costeiros, são ferramentas poderosas para mitigar os impactos negativos do aquecimento global.
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Cabo Verde ocupa uma posição única numa das regiões marinhas com maior riqueza biológica do mundo. Pequenos processos oceânicos em torno das ilhas trazem águas ricas em nutrientes para a superfície, criando zonas de alimentação abundantes e tornando os mares circundantes invulgarmente produtivos e repletos de vida. Com mais de 800 km de costa e uma vasta Zona Económica Exclusiva, as águas de Cabo Verde abrigam uma grande variedade de espécies marinhas, incluindo aves marinhas, tartarugas marinhas, baleias e tubarões.
Estas águas sustentam tanto espécies endémicas que não se encontram em mais nenhum lugar como um grande número de espécies migratórias, servindo como zonas-chave de reprodução e alimentação. Como o oceano está intimamente ligado à economia e à segurança alimentar do país, proteger a biodiversidade marinha é vital não só para os ecossistemas, mas também para a resiliência a longo prazo da população e do ambiente de Cabo Verde.

Habitats importantes e áreas marinhas protegidas
Das cinco reservas naturais do Sal, quatro incluem áreas marinhas significativas protegidas por lei nacional, combinando uma zona terrestre com uma extensão de três hectares de oceano. A reserva natural da Baía da Murdeira continua a ser a única área marinha totalmente protegida em todo o arquipélago de Cabo Verde. Embora estas áreas estejam legalmente salvaguardadas devido à sua rica biodiversidade, a capacidade e os recursos para a implementação e fiscalização eficazes da legislação ainda são limitados, de forma a garantir a efetiva proteção dos habitats e das espécies.
Grande parte do nosso trabalho de conservação concentra-se nessas reservas, mas também atuamos em áreas importantes fora delas — como o berçário de tubarões-limão no Recife de Parda — onde colaboramos com as comunidades locais para proteger a vida marinha. Para fortalecer os esforços de conservação a longo prazo, propusemos a criação de uma nova área protegida no Recife de Parda, garantindo áreas vitais para as gerações futuras.
Práticas de Conservação
Para combater essas ameaças e pressões, estamos a implementar vários métodos de conservação marinha. A conservação marinha consiste na proteção e gestão sustentável dos ecossistemas oceânicos e das espécies que deles dependem. Em Cabo Verde, é especialmente vital devido à rica biodiversidade do país e à sua dependência do oceano para a alimentação, os meios de subsistência e o turismo.
Apesar dos esforços em curso, são urgentemente necessárias mais investigação, uma aplicação mais rigorosa da regulamentação da pesca e práticas de turismo sustentáveis.
Conservação de espécies e pesquisa científica:
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Monitoramento de espécies de elasmobrânquios ao redor da Ilha Sal
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Avaliação das populações de tubarão-limão em áreas de berçário por meio de amostragem biométrica.
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Rastreamento da distribuição espacial e temporal da megafauna marinha usando drones e BRUVs (Veículos Aéreos Não Tripulados Remotamente).
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Avaliação dos estoques de peixes comerciais ao redor da ilha
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Realização de estudos de biomassa de espécies de peixes indicadores-chave
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Registro da diversidade, abundância e distribuição de espécies marinhas
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Coleta de dados ecológicos por meio de iniciativas lideradas pela comunidade (Guardiões do Mar)
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Colaboração a nível nacional para rever os planos de conservação e gestão de tubarões.
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Promover a ciência cidadã através de programas de observação da megafauna.
Divulgação e Parcerias com a Comunidade:
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Engajar e capacitar os pescadores afetados pelas políticas de gestão marinha.
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Monitoramento das águas costeiras e denúncia de infrações por meio dos Guardiões do Mar.
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Promover a educação ambiental em escolas e centros comunitários.
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Realização de campanhas de comunicação sobre pesca sustentável e consumo de frutos do mar.
Implementar práticas de pesca que reduzam a captura acidental de megafauna marinha. -
Fortalecimento da capacidade técnica de pescadores e trabalhadores do turismo marítimo, incentivando o empoderamento e a participação na tomada de decisões.
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Oferecer treinamento para guias sobre atividades responsáveis de observação de tubarões.
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Realização de pesquisas com pescadores para compreender as interações com tubarões e golfinhos.
Gestão Cooperativa de Áreas Marinhas Protegidas (AMP):
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Colaborar a nível nacional para atualizar e fortalecer os planos de gestão das Áreas Marinhas Protegidas (AMPs).
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Propor novas Áreas Marinhas Protegidas em parceria com as comunidades locais que dependem dos recursos marinhos.
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