Projeto Biodiversidade lança campanha nacional para combater o consumo ilegal de espécies marinhas p

Nesta semana o Projeto Biodiversidade vai lançar uma campanha nacional de sensibilização focada em combater a contínua captura e consumo ilegal de especies marinhas protegidas utilizando uma abordagem muito oportuna nos tempos atuais: a questão da saúde humana.

Em parceria com o Ministério de Agricultura e Ambiente e a Direção Nacional do Ambiente, com o apoio da Câmara Municipal de Sal, e com financiamento da TUI Care Foundation e do Bio Tur (financiado pelo PNUD e GEF), a mensagem principal da campanha - “Mantenha o perigo longe do seu prato” - incita ao público a que rejeite o consumo de especies selvagens protegidas por lei, demonstrando como esse consumo pode impactar negativamente na saúde humana, e também o papel que os humanos têm em perpetuar a cadeia de consumo e de comércio ilegais.

Nesse intuito, a campanha busca fortalecer a compreensão da população sobre as diferentes maneiras nas quais a biodiversidade e a saúde humana estão interconectadas, e busca inspirar um movimento coletivo de denúncia do consumo ilegal, mudar comportamentos prejudiciais para o ambiente, assim como proteger espécies importantes e o seus ecosistemas.

“A ligação entre a proteção da biodiversidade e a saúde humana nunca foi mais evidente,”disse Berta Renom, Diretora Executiva do ONG, “A perpetuação desses ciclos prejudiciais de consumo, poluição e destruição de habitats não irá somente prejudicar ecossistemas importantes, mas também a nós humanos. Temos a esperança que esta campanha possa servir como um ponto de virada para melhorar como as pessoas interagem com o mundo natural, e incentivá-las a tomar medidas positivas para preservar esse mundo.”

O tema da campanha é especialmente relevante dada a atual pandemia gobal de COVID-19 e a sua ligação direta com o consumo ilegal de animais selvagens. O conceito de zoonoses – doenças que se originam em animais, mas que podem se transmitir para os humanos – tem sido há muito tempo estudado, mas só agora se tornou um assunto de interesse para a população geral.

O PNUD calcula que o 75% de todas as doenças infecciosas são zoonóticas, tendo origem no comércio e consumo de animais selvagens e na perda de ecossistemas.

Além disso, a campanha também aborda outras ameaças críticas para a saúde humana ligadas ao consumo de espécies selvagens, incluindo intoxicação por mercúrio e os riscos da ingestão de microplásticos – ambas ameaças têm origem na poluição dos oceanos por plásticos e poluentes inorgânicos derivados da atividade humana.

Além da presença de outdoors a nível nacional, a campanha reforçará a sensibilização da população por meio de divulgação nas mídia e redes sociais, e através de materiais impressos e conversas com especialistas, parceiros locais e outros colaboradores.

A campanha coincide com o início da temporada de desova da tartaruga-cabeçuda em Cabo Verde, sendo levados a cabo trabalhos de conservação por todo o arquipélago e liderados por ONGs ambientais, como o Projeto Biodiversidade. Cabo Verde ainda luta contra a caça ilegal destes animais em perigo de extinção, com um alarmante número de tartarugas marinhas apanhadas já registrado nesta temporada. Em 2018 entrou em vigor uma nova legislação para a proteção das tartarugas marinhas que considera o seu comércio e consumo como um crime. Além das tartarugas marinhas, outras espécies marinhas protegidas por lei são capturadas de forma habitual para o seu consumo em Cabo Verde, incluindo diferentes espécies de aves marinhas como o rabo-de-junco e a cagarra, bem como mamíferos marinhos como a baleia-piloto. A combinação da ação direta e da sensibilização da população visa criar uma força poderosa para uma mudança positiva.

Este ano, com a ausência de voluntários internacionais, o Projeto Biodiversidade recrutou uma equipa totalmente local para apoiar seu programa de proteção de tartarugas marinhas, com 48 guardas patrulhando as principais praias de desova da ilha durante os próximos quatro meses. Com o apoio da Delegação do Ministério de Agricultura e Ambiente, da Câmara Municipal do Sal, e dos voluntários locais, o projeto prevê patrulhar mais de 23 quilômetros de costa, com medidas adicionais aplicadas visando reduzir a caça em áreas mais remotas. Devido à emergência de COVID-19, este ano a campanha iniciou sem o apoio das Forças Armadas, mas é esperado que as estas possam apoiar a campanha assim que a situação o permita.

Assim como as tartarugas marinhas, as aves marinhas, todos os mamíferos marinhos (golfinhos e baleias), e algumas espécies de tubarão também estão protegidas pela lei nacionais e por tratados internacionais ratificados por Cabo Verde. A venda, compra, ou consumo de carne de tartaruga também é contra a lei.

Como cidadão, você pode apoiar esta iniciativa ao:

  • Recusar a participação em qualquer forma de consumo ilegal;

  • Partilhar a mensagem com a sua família, amigos e comunidade;

  • Reportar quaisquer incidentes ligando para o 132 – todos os relatos podem ser feitos anonimamente.

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